terça-feira, 13 de março de 2012

As Crônicas da Caixa Prego

Chegando em casa, percebi que o carro não estava na garagem, a luz da sala estava acesa. Traços de quem havia saido correndo, panelas no fogão, a forma com batatas _que não foram devoradas, um jantar que deveria estar me esperando, fora largado. O pijama jogado no chão, o guarda-roupa aberto.
O celular que toca até cair, Deus! Como é angustiante um telefone que não tem 'alô'. Precisava ouvir aquela voz, precisa saber onde estava, o que tinha acontecido... As mãos tão trêmulas, não conseguiam mais rediscar para o número cujo a Caixa Postal antendia frenéticamente. O coração disparado, os olhos marejados...
No âmbito de pavor, sem saber a quem ligar, passando mil histórias na cabeça; enxerguei uma agenda telefôlica caída ao lado do criado mudo, no desespero de precisar encontrar uma solução os neorônios chocavam-se, tudo girava e o raciocinio foi formado: Uma ligação foi feita! Para quem? Como descobrir? Foi então que lembrei-me de rediscar o ultimo número no telefone, com as mãos ainda muito trêmulas, tinha medo de errar o botão e afogar-me na agônia da incerteza, de não saber onde estavas e o que havia acontecido.
Cada toque daquela chamada, era como uma eternidade, e eu podia ouvir meus batimentos acelerados difundindo-se aos toques tão demorados... Para quem eu estava ligando? Quem ateneria? O que eu diria? Por que aquele número havia sido discado? Por que tudo havia sido largado as pressas?
Uma voz embargada, por fim, disse-me "Alô"... Era uma mulher, alterada e chorosa.

(to be continued)

Nenhum comentário:

Postar um comentário