Foi certeiro, como eu havia previsto, no dia seguinte ela estava lá montando guarda, me comia com os olhos, movimentava-se de um lado para o outro, como uma leoa enfurecida.
Metade do cabelo preso a outra metade bagunçada, maquiagem borrada, batom vermelho, uma blusa que não cobria a barriga a mostrava metade dos seios, uma saia curta e um chinelo, era isso que ela vestia.
Em uma mão um cigarro aceso. Ela fumava e gritava tal como uma prostituta, fazia escândalo no meio da rua, com a mão que estava livre batia no peito descontroladamente e gritava “Ele é MEU homem! Meu homem! Entendeu?”. Essa historia de mulher da vida possuir um homem sempre me intrigou. Ela era desnutrida, mas em caso de briga a sua companheira de zona sempre estava junto, essa era nutrida até de mais.
Vexada com o escândalo em publico, fingia que não era comigo, a louca na cena não era eu. As pessoas olhavam, é claro que olhavam.
Eu, moça direita, me envolvi com homem de vagabunda. E por sexo a gente faz cada coisa...
Mantive a pose, o rosto angelical de menina inocente – que de inocente não tem nem a sombra – me rendia bons frutos. Os guardas chegaram, agarraram-na pelo braço e dali para o camburão, a viatura partindo com a sirene ligada e eu ainda ouvia seus gritos, que tentavam dizer algo como “Ele é meu” e “vou acabar com a tua vida”, devia ser isso.
Barraco encerrado, curiosos se dispersando. O guarda perguntou “Quer registrar queixa moça?”, balancei a cabeça como quem diz não. Segui meu caminho, no rosto um sorriso malicioso, a mulher que roubou o homem da prostituta.
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