quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O barraco do centro

Foi certeiro, como eu havia previsto, no dia seguinte ela estava lá montando guarda, me comia com os olhos, movimentava-se de um lado para o outro, como uma leoa enfurecida.
Metade do cabelo preso a outra metade bagunçada, maquiagem borrada, batom vermelho, uma blusa que não cobria a barriga a mostrava metade dos seios, uma saia curta e um chinelo, era isso que ela vestia.
Em uma mão um cigarro aceso. Ela fumava e gritava tal como uma prostituta, fazia escândalo no meio da rua, com a mão que estava livre batia no peito descontroladamente e gritava “Ele é MEU homem! Meu homem! Entendeu?”. Essa historia de mulher da vida possuir um homem sempre me intrigou. Ela era desnutrida, mas em caso de briga a sua companheira de zona sempre estava junto, essa era nutrida até de mais.
Vexada com o escândalo em publico, fingia que não era comigo, a louca na cena não era eu. As pessoas olhavam, é claro que olhavam.
Eu, moça direita, me envolvi com homem de vagabunda. E por sexo a gente faz cada coisa...
Mantive a pose, o rosto angelical de menina inocente – que de inocente não tem nem a sombra – me rendia bons frutos. Os guardas chegaram, agarraram-na pelo braço e dali para o camburão, a viatura partindo com a sirene ligada e eu ainda ouvia seus gritos, que tentavam dizer algo como “Ele é meu” e “vou acabar com a tua vida”, devia ser isso.
Barraco encerrado, curiosos se dispersando. O guarda perguntou “Quer registrar queixa moça?”, balancei a cabeça como quem diz não. Segui meu caminho, no rosto um sorriso malicioso, a mulher que roubou o homem da prostituta.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Proibido é mais gostoso


E os meus dedos se perdiam nos seus cabelos volumosos, negros e macios, causando-me arrepios e vontades que nunca se manifestaram. Esse jogo de provoca-provoca, as pontas dos seus dedos pararam na minha nuca, ali onde termina o cabelo, em poucos e suaves toques minhas pernas amoleceram.
O anel de metal em nossos dedos de modelos diferentes fazia com que a historia ganhasse um tom proibido – proibido não quer dizer impossível – e particularmente tudo o que se denomina ‘proibido’ sempre me atraiu muito.
De vez em quando as carícias eram interrompidas, como se ele duelasse entre o desejo e o que não deveria ser feito. Apesar da respiração ofegante a situação toda era quase inocente, crianças cedendo ao desejo do doce proibido, éramos crianças que brincavam com fogo sem nos importarmos com as conseqüências.
Querer e não poder, mas acima de tudo QUERER. Os olhos fechavam-se e reviravam-se expressando o delírio de toques, carne com carne. Fruíamos nisso um prazer silencioso e longo. Para mim, era ainda mais excitante, havia ali o álibi perfeito e um cenário que proporcionava o que tanto procurava.
Homens são de fato cachorros sedentos de sexo e para que sejam infiéis precisam que haja um elemento: uma mulher. Ainda se eu o tivesse provocado... Mas não! O fato é que fluiu e eu sem qualquer esforço cedi aos carinhos proibidos.

domingo, 17 de outubro de 2010

Bissexualidade.


Quando eu tinha 7 anos, nutria pela minha prima (de um grau de parentesco distante) alguns meses mais nova, um tesão absurdo. Não tínhamos muito contato, quando nos encontrávamos brincávamos de “namorar”, não me lembro com exatidão, mas creio que trocávamos selinhos. Não sabíamos o porquê apenas sabíamos que era “errado” e precisávamos brincar escondido.
Com 8 anos a filha de uma colega dos meus pais, quis brincar de “namoro” comigo, ela tinha 13 ou 14 anos, também não me recordo com exatidão do que ocorreu, o que nunca saiu da minha cabeça foi o seu perfume... Nunca mais a vi.
Minha tia havia s casado, seu novo marido tinha uma filha de 12 anos, Carol, eu tinha 11anos. Ficamos amigas, apesar das notáveis diferenças, Carl nasceu para o rock, conhecia bandas que eu nunca tinha ouvido falar, enquanto eu vivia no mundo rosa da Britney Spears. Dormimos na casa da minha tia em um fim de semana, um colchão na sala, um lençol amarrado nos móveis por perto, forjando uma barraca (tenho uma obsessão estranha por barracas *-*), levamos uma garrafa com leite; eis que lá pelas tantas da noite  ela me pergunta se eu tinha coragem de tomar o leite depois que ela lambesse o bica da garrafa, eu sempre muito “corajosa” respondi que sim, depois ela me pergunta se eu tinha coragem de beijar uma mulher, mais uma vez a minha resposta foi a mesma, sua próxima pergunta foi se eu tinha coragem de beijá-la, entediada de responder “sim” mostrei na atitude que eu a beijaria, da primeira hora do dia até as seis e meia da manha, trocamos beijos.
No dia seguinte, por telefone, decidimos esquecer o havia ocorrido. Nessa época, eu ainda não tinha conhecimento da homossexualidade, só sabia que não era normal e talvez até errado.
Assim que tive conhecimento do significado da palavra gay, fui dormir todos os ias repetindo para mim mesma “não sou lésbica!”.
Algum tempo passou, eu já estava com 13 anos, na 8° série, conheci uma menina no colégio, Aline, ela já tinha 15 ou 16 anos, ela me provocava, roubava selinhos, pegava nos meus seios (com meu consentimento, claro). Antes de dormir era em Aline que eu pensava a coisa mais ousada que fiz com ela foi pegar uma bala de sua boca. Uma vez, na sala de aula, fotografaram com um celular um “selinho de amizade” meu e de Aline, a foto correu o colégio todo, no turno da manha e da tarde.
O ano terminou, nunca mais tive noticias de Aline. Eu estava muito em duvida sobre minha sexualidade, foi quando completei 15 anos, percebi que eu reparava de mais nas meninas, resolvi aceitar que eu realmente gosto de mulher. Contei para uma amiga, pedi segredo, pois para mim era importante e eu ainda precisava de tempo para me aceitar de fato. Ela “comentou” com alguns amigos, não me chateie, afinal acabei passando duas aulas com uma amiga dela na antepenúltima cabine do banheiro feminino do segundo andar do colégio.
Eu ainda não me sentia “lésbica” como eu gostaria, queria chegar até o fim* com uma menina.
Por causa da família (para variar) precisei esconder não sair gritando para o mundo “Hey, sou gay!” é um pouco difícil encontrar alguém para as finalidades que pretendia, tive algumas oportunidades que achei melhor recusar.
Dei tempo ao tempo... Então conheci a G*, é, ela fez com que eu me sentisse lésbica na medida que eu queria.