Nesse momento, meus pais estão na sala, ''cochichando'', para que que eu não ouça. Estão falando sobre mim, de como sou estranha, fria e não demostro emoção alguma, também ouvi algo de como estou folgada e que minha educação precisa ser modificada. Minha mãe tentou me defender, mas como sempre foi vencida, dizendo "aham" no final da conversa.
Eles tem razão de me acharem estranha, aliás, ele (porque minha mãe não acha nada nunca), só que eu também tenho razão por ser estranha com eles (ou ele, porque minha mãe não interaje). De fato não expresso emoção quando estou em casa, mas longe daqui, eu choro grito, discuto, arranjo briga, e sou uma pessoa normal, que fique clao, da porta para fora.
Vivo na duplicidade, e foi apanhando que aprendi, quando eu era uma pessoa normal dentro e fora de casa, nunca foi um bom negócio, tentar conversar, responder, querer contar do meu dia... Uma vez levei um tapa daqueles na cara porque eu disse "Para!", simplismente. Tantas outras vezes, que eu tentava conversar, ouvia "cala a boca".
Foi então, que as melhores horas do meu dia eram aquelas em que eu ficava somente em minha companhia. Foram precisos mais alguns desses 'tapas' para que eu entedesse e fizesse o que queriam. Eu existia. Calada. Não notavam mais minha presença em casa, foi quando, meu quarto passou a ser meu mundinho; e provavelmente foi quando me tornei o que eles chamam hoje de 'esquisita'.
Demorou 9 anos para perceberem meu comportamneto diferente...
Acho graça quando meu pai reclama que não sabe nada sobre mim, e continuará sem saber.
Tenho 19 anos. E isso machuca.
Existe uma grande possibilidade de ser culpa dele minha dificuldade de cmunicação, mas não vou entrar nesse campo agora, porque certamente, todas as minhas esquizofrenias, são culpa dele.
Meu quarto continua sendo meu mundinho.
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