domingo, 6 de março de 2011

A Outra



Nem sempre fui a santa que pintei.
 Fui muitas vezes a outra. Eu não era a favor de traição, e por mais hipocrisia que pareça ainda sou contra.
Nem sempre eu sabia que eles eram comprometidos, depois que ficava sabendo não mudava muita coisa, pois para mim o mal já havia sido feito.
Eu era sempre muito mais nova do que eles e do que suas esposas e namoradas, pensem, o que uma mulher de 26 anos sentiria ao saber que era traída por uma menina de 13anos?!
Essa foi a primeira vez, ele não tinha _ou não usava_ aliança, ficamos durante uma festa e só depois fui saber que ele era 11 anos mais velho do que eu e sua namorada 12 anos mais velha. Não sabíamos da existência uma da outra, até que por causa de uma mensagem que eu havia mandado ela descobriu, me ligou, explicou a situação e eu me surpreendi com a atitude calma que ela havia tomado, me perdoei por não saber que ele tinha namorada. Dois meses depois viramos amantes fiéis; nosso ‘caso’ durou um ano.
Comecei a sentir nisso um ‘poder’, pois as mulheres eram mais velhas do que eu, mas não a ponto de um homem precisar procurar uma mais nova e eu não podia proporcionar-lhes muitas coisas que elas podiam.
Eles nunca me disseram ‘não’, nunca me seguraram, nunca me evitaram _embora alguns tenham resistido no começo_ e afinal eu era ainda criança, garanto-lhes que se eles quisessem poderiam ter evitado.
Uma das vezes não tive culpa, ele era casado, começamos a conversar, o casamento dele era conturbado e sem amor, era só conveniência, coloquei na minha cabeça que eu ajudaria esse casal, tentava fazer com que ele compreendesse o lado da esposa, um dia ele pediu que eu fechasse os olhos, não questionei, então ele me beijou; isso durou mais dois dias.
Eu estudava de manhã, todos os dias, às 6hs da manhã, um homem passeava com um cachorro preto, ambos muito bonitos, quando eu voltava do colégio ás 12hs, eu encontrava outro homem passeando com o mesmo cachorro, ambos lindos. Os dois me chamaram a atenção, pensava que eram gays, então nem dava bola. Os dois sempre eram muito simpáticos. Em um dia qualquer, o homem que ficava com o turno da tarde, puxou o cachorro para o meu lado, conversando com ele “Ah, você quer vir para esse lado seu sem vergonha”, na verdade o cachorro puxava para o outro lado, ele me cumprimentou, enrolou a coleia na mão direita para tentar disfarçar a grossa aliança, a partir desse dia ele virou minha ‘meta’, ele sempre dizia que a namorada era ciumenta, mas fazia questão de me esperar chegar, fazia questão do meu sorriso e de abraços longos. Ele namorava há 6 anos. Precisei de oito meses para conseguir o que eu queria. O homem do turno da manhã era seu irmão, Peter tinha 24 anos, seu irmão 27, dois meses depois fiquei com seu irmão (ele era solteiro).
Michel namorava há três anos, ele era ‘traidor’ profissional, nesse caso não seduzi, fui a seduzida rs. Eu nem sentia mais culpa, era divertido.
Eu adorava quando elas ligavam e eu estava com eles, adorava escutar suas desculpas “Estou trabalhando amor, depois te ligo”, “Estou na faculdade”, “Estou com meu irmão ele brigou com a namorada e estou dando um apoio”, “Estou indo jogar futebol”, e por aí vai...
O que eu queria ressaltar é que eu nunca usei de artifícios apelativos para que eles ficassem comigo, se eles me dissessem “não”, eu pararia, mas eles nunca nem tentaram.
(Há outras vezes também, mas se eu continuar acabo escrevendo um livro.)
ps: nomes fictícios.

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